A história de Alê
- Roberto Mendonça Maranho
- 22 de mai. de 2024
- 5 min de leitura
Conversando com uma amiga hoje, soube de sua vida e achei muito interessante. Pedi permissão a ela para escrever sua história.
Tempos atrás, Alê trabalhava como costureira. Ela é evangélica. Em suas orações, disse a Deus que seu sonho era ser massagista. Ela conversava com Ele e dizia que se aquele realmente fosse o seu caminho, que estava disposta a servir. Se não fosse, que Ele afastasse isso dela. Pouco depois, uma mulher que havia trabalhado como massagista encontrou com a Alê na rua e disse que nas suas orações, havia sentido em seu coração que deveria passar seus equipamentos e materiais para ela. Neste primeiro momento, não foi combinado nada quanto a valores. Alê pediu um tempo para pensar.
Logo em seguida, sua irmã convidou um amigo que já tinha experiência nesta área para vir à cidade e ensinar as primeiras noções das técnicas de massagem. Ao encontrar com ele, Alê se surpreendeu quando ele olhou para suas mãos e disse: “esses dedos curtos são perfeitos para massagem”. Neste momento uma lágrima escorreu pelo seu rosto. Ela carregava certo trauma em seu coração desde pequena, pois ao não conseguir fazer alguma coisa, ouvia que não conseguia fazer porque tinhas os dedos curtos. Aquilo foi uma cura para seu coração. Sentiu grande alegria vendo que estava no caminho certo.
Alê resolveu aceitar os equipamentos. E foi praticando… As pessoas gostavam de sua massagem. Seu sonho de montar o salão de massagem ficava mais próximo. Mas havia um pequeno detalhe: como arrumar dinheiro para pagar pelos equipamentos? Então sua mãe conseguiu um empréstimo no banco, com a ajuda de um amigo que aceitou ser o fiador. Agora era pagar em dia as prestações ao banco.
No dia de pagar a primeira prestação, havia juntado algum dinheiro, mas o valor era insuficiente. Sua família iria pagar uma conta em uma loja de materiais de construção. Alê teve a ideia de ir até a loja, pagar parte daquela conta e deixar a parte restante para alguns dias mais adiante, quando conseguiria mais alguns clientes e teria o dinheiro. Pegou então a parte não utilizada no pagamento e juntou com o dinheiro que seria usado para pagar a primeira prestação do empréstimo. Pronto, a primeira etapa estava quitada.
Os dias passavam e se aproximava o dia para pagar o valor restante na loja de materiais de construção. Mesmo sem ter o dinheiro, Alê agradecia a Deus em saber que aquele recurso viria de alguma forma. Sua fé era inabalável. No dia em que deveria pagar o restante, bateu na porta de sua casa a funcionária da loja. E entregou para Alê o recibo já pago daquela conta. A funcionária disse que sentiu em seu coração, durante suas orações, que deveria pagar aquela conta. Mas ela também não tinha dinheiro para isso. Sentiu então que deveria ir até o banco. Ela possuía uma conta-poupança que não usava há tempos. Havia deixado apenas cinco reais nela. Ao tirar o extrato, viu que o valor em sua conta era exatamente o valor restante a ser pago na loja acrescido dos cinco reais. (A pergunta “de onde veio esse dinheiro” veio à mente naquele momento. Talvez alguém transferiu por engano, talvez seguindo seu coração, talvez… talvez…). A funcionária disse para a Alê que ela devia perguntar a Deus por que Ele fizera isso. Alê conversa com Deus (assim ela descreve seus momentos de oração, com muita intimidade com Ele). A resposta vem em uma passagem da bíblia, que resumindo bem, dizia que Ele cuidaria de prover os recursos materiais que fossem necessários.
Aproximou-se o dia do pagamento da segunda prestação. Alê contava em receber um pagamento, mas esse não ocorreu. Houve uma discussão com um de seus familiares, em que lhe foi dito que ela não conseguiria pagar o banco. Alê fechou-se sozinha e pôs-se a orar. Ela continuou firme em sua fé e chegou a dizer para si mesma: – eu acredito que esse dinheiro vai vir nem que seja num envelope escrito “De: Jesus para Alê”. Poucos dias depois, em seu serviço como costureira, recebeu uma carta. Achou estranho, pois não costumava receber correspondências naquele endereço. Ao olhar para o envelope começou a chorar. Chorava de alegria. Suas colegas vieram para ver o que havia acontecido. Ela contou a situação que vivia. Pegou o envelope e lá estava escrito: “De: Jesus para Alê”. Abriu o envelope e lá dentro estava o valor exato da prestação a ser paga. O pessoal se surpreendeu. Alê comentou que o que a emocionou foi o que estava escrito fora do envelope e não o seu conteúdo. Uma colega diz: “ Alguém mandou este dinheiro.” Alê respondeu: “Pode ter sido através de alguém. Mas acredito que pode ter sido diretamente. Deus poderia mandar um anjo aqui trazer esse dinheiro. Mas as pessoas não iam dar conta de ver um anjo com suas asas, então ele pode ter vindo na forma de uma criança.” Imediatamente alguém disse: “Eu duvido”. Nesse momento desceu a escada a pessoa que recebeu a correspondência. Perguntam quem havia entregado a correspondência e ela respondeu: “Uma criança entregou o envelope na minha mão. Fui ver o que era e logo a criança saiu pela porta. Depois olhei e ela não estava mais por lá.
O dia do pagamento da terceira parcela com o banco se aproximava. Uma cliente, que ainda nem havia acabado de utilizar a quantidade de massagens e que já havia pagado seu pacote, resolveu antecipar o pagamento de um novo pacote. E lá veio o valor exato da prestação.
Para o pagamento da quarta parcela, o dinheiro já estava ali, pronto para ser levado ao banco no dia seguinte. Um de seus familiares pediu para que ela pagasse a conta de água, no valor de cinquenta reais. Alê reagiu dizendo que o dinheiro era para pagar o banco. “Manda seu Deus pagar para você”, foi a resposta que ouviu. Ela, sempre firme em sua fé, foi e pagou a conta de água. Nesse mesmo dia bateu a sua porta uma mulher que ela nunca havia visto. Ela disse que Deus mandou que entregasse um recadinho para ela. Entregou em sua mão um pedaço de papel amassado, e pediu que abrisse só depois que ela fosse embora. Alê esperou que ela saísse, pegou o papel e o abriu. Estava em branco, mas, dentro dele, uma nota de cinquenta reais.
Alê me contou outros acontecimentos, todos muito interessantes. Vi que independente da religião, que independente do nome que é dado para as coisas (que costumam variar muito, mas que em sua essência possuem o mesmo significado), independente de qualquer coisa, é realmente incrível o que pode fazer alguém com o coração cheio de Amor e Fé.
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