Dezessete horas e quinze minutos
- Roberto Mendonça Maranho
- 22 de mai. de 2024
- 2 min de leitura
Toca o despertador. O sono ainda é pesado. Mais dez minutinhos para descansar. Sonho profundo… Imagens… Sons… E toca novamente o despertador. Hora de voltar à realidade. Banheiro… Banho… Dentes escovados… Roupas vestidas… Hora de trabalhar! O trajeto é curto, dez quilômetros. Que venha a estrada! Logo cedo, inicia-se a aventura. O agradável clima gelado da manhã e as belas paisagens de verdes montanhas contrastam com o que vejo em minha frente: asfalto, em um espaço suficiente para dois carros – dois caminhões também cabem ali, como aquela camiseta guardada há tempos, que, quando vestimos, fica colada ao corpo, sem qualquer espaço livre. É muito legal ter contato com a natureza, mas o mato alto, verde claro, robusto, cercando as duas margens, parece mais oprimir aqueles que por ali passam, ao invés de despertar a agradável sensação de paz que a mãe natureza costuma trazer. Continuo o trajeto que repito diariamente. Para dar um pouco mais de emoção, sempre tem aqueles cheios de pressa, que realizam ansiosas ultrapassagens nessa estrada com tantas curvas quanto os brinquedos mais radicais dos parques de diversões. Primeira etapa cumprida, deslocamento entre cidades realizado com sucesso. Inicia-se o dia de trabalho. Computador, papéis, projetos… Aproxima-se o momento de almoçar. Hora de voltar para casa. Estrada, caminhões, ultrapassagens, natureza… Como é bom estar em casa. Almoço, conversas, notícias no rádio, esticada nas pernas… Opa, já é hora de voltar! Asfalto, natureza, caminhões, ultrapassagens… E vamos trabalhar! E a vida segue seu curso, seu ritmo. Fim de expediente, hora de voltar. Carona? Claro, a agradável companhia sempre é bem vinda! E vamos para estrada… Ultrapassagens ansiosas, natureza, caminhões… Opa! Tem coisa errada! Fila de carros… Pisca-alertas ligados… Um caminhão parado em sentido contrário. Caixas de madeira espalhadas pelo chão. Tensão no ar. Pessoas reunidas em meio ao mato que quase invade a pista. Puxa… Duas pessoas no chão… Uma moto… A agradável companhia ao meu lado vira o rosto para evitar olhar para a cena. Também prefiro ver o mínimo possível. Olho no relógio, dezessete horas e quinze minutos, do dia 27 de junho de 2013: hoje a MG-290 ceifou mais uma vida…
(Junho/2013)
Comments