Madrugada fria. A cidade dorme. Debaixo de cobertores, os sonhos tomam seus rumos, ganham asas. Alguns navegam por oceanos, outros voam sobre florestas. Muitas vezes a viagem é para dentro de nós mesmos. Cenários estranhos lá parecem familiares. Móveis que nunca vimos, lugares em que nunca estivemos, pessoas que não conhecemos… Por alguns instantes tudo é real. Somos ao mesmo tempo o filme e o personagem. Tudo se mistura: passado, presente, realidade, fantasia, medos, expectativas, aventuras… Enquanto a cidade dorme, mentes vagam acordadas. O silêncio é um grande aliado da paz. A paz, uma grande aliada da reflexão. E no silêncio da madrugada, o coração se aquieta. Com o coração tranquilo, as palavras buscam ganhar vida. Saltam do mundo do pensamento para a tela do computador. Já houve um tempo em que saltavam para o papel. E esse papel muitas vezes tinha como destino o fundo da gaveta. Vez ou outra, era compartilhado com as pessoas mais próximas. Mas hoje, quase não é mais necessário. As palavras agora ganham vida própria. Nascem, crescem, multiplicam-se e morrem. Algumas podem durar para sempre. Outras podem se espalhar como flores ao vento. Chegar até pessoas que nunca conhecemos. Lugares em que nunca estivemos… Como nos sonhos.
Palavras são bases de construções, assim como os tijolos. Podemos erguer grandes castelos, construir palácios, pontes, muralhas, prisões… Escolher bem as palavras é escolher o que iremos criar. O mesmo vale para o pensamento, palavras não verbalizadas que geram emoções.
Construímos nossas emoções ao escolher nossos pensamentos, nossas palavras, nossas atitudes. Boas obras nascem de bons projetos. É preciso escolher o que projetar. Serão pontes? Muralhas? Palácios? Prisões?
Mas quem faz o desenho? Qual o projeto? Está tudo lá dentro. Pronto para ser acessado e impresso. Disponível. Aguardando atenção. É só fazer a conexão: mente-coração.
Um coração tranquilo segue aquilo em que acredita. Fiel a si mesmo. Honesto em suas ações. Coerente com seus princípios. Disposto a encarar as consequências e a pagar o preço por fazer o que acredita ser o certo… Hoje o coração acordou calado. Tranquilo. Calmo. Em silêncio. Já não batia com tanta pressa como em outros tempos. Continua trabalhando vinte quatro horas por dia. Sem descanso em finais de semana ou feriado. Todo dia… Todo dia… Despertou, porém, diferente. Em outro ritmo, mais alegre. Sambando. Dançando. Agora é carnaval o ano inteiro. Alegria e liberdade. Pulsando… Pulsando… Pulsando…
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