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Um dia comum

  • Foto do escritor: Roberto Mendonça Maranho
    Roberto Mendonça Maranho
  • 22 de mai. de 2024
  • 2 min de leitura

Fim de tarde. Uma caminhada ao redor dos lagos para manter corpo e mente saudáveis. Há dois anos a vida no planeta mudou com a chegada de um vírus. Milhões perderam suas vidas.

Pessoas passeavam com seus cães enquanto nos hospitais equipes lutavam para salvar vidas. Pais brincavam com seus filhos enquanto comércios fechavam suas portas. A ciência fez seu papel, em tempo recorde diferentes vacinas foram desenvolvidas. Nos países com mais recursos, boa parte da população está vacinada e aberta às necessidades de novas doses.

Estamos entrando no terceiro ano da pandemia e agora a percepção é que a vida segue mais próxima da normalidade. Faço essas reflexões enquanto caminho. O vento no rosto e o espaço aberto me permite não usar a máscara de proteção. Nesse local a maioria já não usa, mas essa postura não é um consenso.

Caminho sozinho. O fone de ouvido me conecta com a música em meu celular. Ela é minha companhia. Enquanto ando, lembro dos tempos em que a ansiedade era tão alta que impedia de realizar a empreitada de caminhar. Ainda mais sozinho.

Continuo andando e logo lembro como ainda hoje a ansiedade me impede de entrar sozinho em um supermercado. Aquelas prateleiras altas formando corredores que vejo como parte de um labirinto. E quanto mais longe da porta de saída, maior a ansiedade, e por que não dizer, maior o medo. Vejo alguns pescadores, com a sabedoria de estarem em paz vivendo o momento presente, e penso que logo vou superar isso também.

A pandemia traz com ela muita ansiedade, e no meu caso, somou-se a uma que o corpo e a mente desenvolveram nos últimos anos. Pego o carro e sigo o caminho de volta para casa. No trajeto vejo uma tabacaria. Todas as vezes em que passo ali me da vontade de entrar. Será que possuem charutos de chocolate para vender? E cigarro de palha? Mas sigo firme rumo a minha casa. A experiência mostrou que fumar aumenta muito a ansiedade além de todo o mal que a ciência já alertou.

A noite chega. Vejo jornal na TV e ao mesmo tempo o Instagram no celular. Ele já está me conhecendo bem. Está acertando nas propagandas que me oferece. Inclusive foi ele que me apresentou a playlist que escuto ao escrever essas palavras.

Uma ligação no celular: meu irmão me convidando para ir na casa dele. Fico muito feliz e topo na hora. Chego lá e logo vejo meu sobrinho de pouco mais de um ano. A ternura do neném é algo difícil de explicar, momento revitalizante estar com ele, meu irmão e cunhada.

Após muito papo, brincadeira, acompanhar o banho do bebê e de comermos um lanche, é hora de voltar pra casa. Mais jornal com Instagram. E lembro que a pandemia ainda não chegou ao fim. Um passo de cada vez. Amanhã é um novo dia.

(10/02/2022)

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